ler.3

Krausz no “Bibliotáxi”

Por Vanderleia Dionízio

Foto de Douglas Braga

Dia desses, peguei um táxi em São Paulo. O taxista me perguntou se eu gostava de ler. Respondi que sim. Rapidamente, de disse que havia um livro no bolso traseiro do banco do passageiro. Peguei-o. Havia um adesivo amarelo e grande sobre a capa com o dizer “Bibliotáxi”, a marca do aplicativo de táxi “EasyTaxi”. Percebi que a proposta era, na verdade, levar o livro com você, lê-lo e devolvê-lo na próxima viagem.

O livro em questão era “Deserto”, de Luis S. Krausz, vencedor do 2º Prêmio Benvirá de Literatura. Comecei a lê-lo dentro do táxi mesmo, surpreendida por sua temática, na qual o autor relata a viagem (talvez autobiográfica) de um garoto judeu-brasileiro de um kibutz em Israel à Inglaterra.

Ler o livro representava a oportunidade de aprender mais sobre essa cultura tão distante para mim. A leitura foi prazerosa, simpatizei-me pelo narrador-personagem, surpreendi-me com a sucinta descrição dos acontecimentos.

Assim como o narrador-personagem, tentava observar os fatos relatados, descobrir as conexões, encontrar o que foi perdido, quebrado, embora eu nunca fosse ou tivesse que procurar a mesma coisa que ele. Não nas palavras ou fatos, mas no sentimento – havia algo que compartilhávamos.

Se escolhesse uma única palavra para resumir a obra, escolheria “ruptura”. Existe uma eterna busca dentro de nós por aquilo que nos é comum, próximo, materno, mas, ainda assim, desbravamo-nos para conhecer novas culturas, pessoas e estilos de vida. Tudo se resume numa eterna contradição, tipicamente humana, que Krausz soube captar com maestria. Aguardo novas obras do autor.

Vanderleia Moreira Dionizio é jornalista e advogada atuante na área de Propriedade Intelectual.