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Previna-se contra o Aedes

Ainda estamos na primavera, mas é bom lembrarmos um grande problema que costuma fazer muitas vítimas nessa época do ano: a dengue. Sim, é com o calor que a reprodução do aedes aegypti se torna mais intensa. Isso não ocorre especificamente por conta do clima, mas porque nessa época as chuvas são mais comuns, assim criando várias poças d’água que são o ambiente perfeito para reprodução do mosquito.

Esse ano o cuidado precisa ser maior que os demais, já que além da dengue o Aedes também é responsável pela transmissão do Zika Vírus e da Chikungunya. Ou seja, três doenças que são causadas por um mesmo vetor. A melhor forma de combate-las é não manter água parada, eliminar todos os pontos onde seja possível a reprodução do mosquito.

Não basta tirar a água dos potinhos e pneus, é imprescindível não deixar com que a água se acumule. Pois o ovo do aedes aegypti pode sobreviver por até 450 dias em um local seco. E caso essa área receba água novamente, o ovo ficará ativo e poderá atingir a fase adulta em poucos dias. Por isso, após eliminar a água parada, é importante lavar os recipientes com água e sabão, assim como colocar terra em pratinhos, virar garrafas de ponta cabeça e todas as outras dicas acima.

A cada ano os números de casos de dengue só aumentam e isso ocorre no mundo inteiro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que anualmente, 3,2 milhões de casos sejam registrados no mundo, sendo que 500 mil são considerados graves e 21 mil que resultam em morte. Esse números alarmantes se fazem ainda mais assustadores quando visto que, num período de 45 dias, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas. Apesar da dengue afetar mais de 120 países, ela é considerada uma doença negligenciada pela OMS.

No fim do ano passado a primeira vacina contra dengue foi registrada em diferentes países para ser usada em indivíduos de 9 a 45 anos vivendo em áreas endêmicas ou de risco. Mas não dá pra dizer que foi encontrada uma cura, pois as vacinas têm mostrado uma efetividade muito variável (entre 50 e 80%) dependendo do tipo de vírus que causa a infeção, do tipo de indivíduos vacinados e do local onde tem sido implementada. As pesquisas continuam e outras vacinas, com diferentes tipos do vírus, se encontram em período de desenvolvimento.

Devido a falta de um resultado realmente satisfatório, a melhor forma de se prevenir da dengue, permanece sendo combater os focos de reprodução. Também é muito válida a utilização de repelentes, todos os dias e em todos os ambientes. Principalmente em mulheres grávidas, principalmente por conta do Zika Vírus. Quando diagnosticadas e tratadas ainda no início, a dengue, a zika e a chikungunya tem bom prognóstico e geralmente são curadas sem apresentar evoluções mais graves ou sequelas.

Os sintomas da dengue, chikungunya e o zika são muito semelhantes e comumente confundidos com uma gripe. Febre elevada, fortes dores de cabeça e nos olhos, além de dores musculares e nas articulações, são alguns dos sintomas característicos da doença. Algo que é muito importante lembrar é que a automedicação é perigosa em casos de dengue, já que medicamentos compostos por ácido acetilsalicílico podem agravar a doença.

Quando uma infecção de dengue é curada, confere ao paciente imunidade contra o tipo de vírus responsável. Porém, existem quatro tipos diferentes de vírus e a cada contágio com um novo tipo de vírus, os sintomas são mais intensos e o risco de desenvolver a dengue grave é mais alto.

Os sinais clínicos da dengue grave são: dor abdominal intensa e contínua; vômitos persistentes; hipotensão postural e/ou lipotimia (tonturas, decaimento, desmaios); hepatomegalia dolorosa (aumento de tamanho do fígado); sangramento na gengiva e no nariz ou hemorragias importantes (vômitos com sangue e/ou fezes com sangue de cor escura); sonolência e/ou irritabilidade; diminuição da diurese (diminuição do volume urinado); diminuição repentina da temperatura do corpo (hipotermia); e desconforto respiratório.

O diagnóstico dessas doenças ocorre através da sorologia, que determina a presença de anticorpos contra o vírus, mas não diz especificamente qual tipo de vírus é responsável pela infecção. São os sintomas que irão indicar qual o tipo de vírus presente. Mesmo porque não existe um tratamento específico da doença, apenas o combate dos sintomas e, nos casos graves, hidratação por via intravenosa.

Contudo, como os números de casos tem aumentado consideravelmente todos os anos, os postos de saúde costumam ficar muito cheios nessa época e os exames demoram a serem feitos e, principalmente, para que o resultado chegue ao paciente. Por isso, mais um fez diremos, não deixe o mosquito se reproduzir. Elimine qualquer possível foco. A melhor forma de combater o Aedes Aegypti é combater o seu nascimento.