Dr. Hong fala sobre saúde masculina

Queridinho das personalidades de São Paulo, o Dr. Hong Jin Pai é um dos Acupunturistas mais renomados do Brasil. Formado pela Faculdade de Medicina da USP, ele é médico pioneiro na área de Acupuntura no Brasil, atuando também no atendimento ambulatorial assistencial e didático no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), e também participando e coordenando estudos científicos no HC-FMUSP. E para nossa sorte o Dr. Hong aceitou ser nosso colunista de Saúde (desde nossa primeira edição) e sempre nos presenteia com assuntos relevantes e esclarecedores. Em homenagem ao “novembro azul”, decidimos convidá-lo para um bate-papo especial sobre saúde masculina.

1.Em sua clínica, existem mais pacientes homens ou mulheres?

R.: Em geral, atendo mais mulheres do que homens. Mas estes tem um perfil interessante, eles geralmente vêm mais de manhã ou no final da tarde. No horário da manhã, geralmente são executivos ou donos de empresas. No final da tarde, as profissões são mais variadas.

 2.Os homens são mais negligentes com a própria saúde?

R: Problemas de saúde do sexo masculino são uma das maiores preocupações de saúde pública. Baseado em estudos, sabemos que a mortalidade de homens jovens no país é até duas vezes maior que a de mulheres, e os homens vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres. Outro estudo (mostrado na imprensa pelo A. C. Camargo Cancer Center) demonstrou que cerca de 60% dos homens diagnosticados com câncer de próstata foram incentivados a buscarem acompanhamento médico pelas suas mulheres.

Acredito que em função de nossa cultura e tradições, além da herança biológica, os homens são mais resistentes a irem ao médico para buscar ajuda, e também comem e bebem exageradamente, e não realizam atividade física regularmente.

Entre os pacientes meus, hoje com a maior conscientização de qualidade de vida, os homens se cuidam mais e são mais responsáveis pela sua saúde. Entretanto, alguns executivos em função de longas horas de trabalho, almoços, viagens e reuniões frequentes, acabam tendo mais dificuldade em manter saudáveis.

 3.Quais são as doenças mais típicas e comuns nos homens?

R:  Vários estudos tem demonstrado que os homens têm mais problemas com colesterol, obesidade e pressão arterial alta, e têm maior incidência de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes. Em função de nossa rotina de trabalho competitiva e com horários mais prolongados, outros distúrbios psíquicos também estão aumentados, como ansiedade e depressão, insônia, dores crônicas e distúrbios sexuais.

4.As políticas públicas de saúde falham em oferecer programas voltados para a Saúde Masculina?

R.: Em 2009, o Ministério da Saúde estabeleceu como prioridade a proteção à população jovem e adulta masculina, lançando a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, desenvolvida em parceria entre gestores do SUS, sociedades científicas, sociedade civil organizada, pesquisadores, acadêmicos e agências de cooperação internacional.

Entretanto, a violência social e problemas de qualidade profissional dos homens somando-se aos aspectos culturais e a infraestrutura deficiente no sistema de saúde, tem resultado em falhas no gestão de saúde masculina. Isso acaba resultando em atrasos no atendimento e diagnóstico.

5.Como definir o comportamento da população masculina em relação à própria saúde?

R.: A população masculina tem maiores taxas de morbidade em relação às mulheres. Os homens, em geral, são mais difíceis e resistentes na busca de atendimento médico e também mais resistentes a seguir as orientações médicas, por motivos diversos como questões culturais, auto-confiança excessiva, dentre outros.

6.Saúde preventiva existe hoje no Brasil? Como seria um programa de saúde preventiva?

R.: Sim, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem foi formulada com o objetivo de promover ações de saúde.

Esta política envolve cuidados tanto da Atenção Básica com foco na Estratégia de Saúde da Família, quanto nos demais níveis de atenção, no que diz respeito à promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde, além de chamar a atenção para a  responsabilidade dos três níveis de gestão, na prática da humanização, integração das demais políticas, articulação intersetorial, reorganização das ações de saúde, estímulo a co-responsabilidade de entidades da sociedade organizada, aperfeiçoamento do sistema de informações em saúde e realização de estudos e pesquisas a respeito da saúde do homem.

É  necessário   fortalecer e qualificar a atenção primária, garantindo a promoção da saúde e a prevenção aos agravos evitáveis. Muitas vezes, os homens adentram ao sistema de saúde por meio da atenção especializada  pela falta de cuidado na atenção básica. Muitos agravos poderiam ser evitados caso os homens realizassem, com regularidade, as medidas de prevenção primária.

A idéia central foi desenvolvida de modo articulado com a “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher”. O caráter relacional das questões que envolvem dinâmicas de casal sugere a necessidade de diálogo e de articulação direta entre as Políticas de Atenção Integral à Saúde do Homem com o da Mulher.

Trata-se da perspectiva de atenção integral das duas dimensões humanas: a individual e a relacional, evitando-se abordar apenas as particularidades, isolando homens ou mulheres.

7.É verdade que a mulher costuma ter um declínio hormonal gradativo, enquanto o do homem chega de forma abrupta?

R.: Não. Tanto na mulher como no homem, o declínio hormonal é gradativo. Nos homens, o processo de queda é mais lento e insidioso. Conforme o avanço da idade, a produção de testosterona vai diminuindo. Algumas mudanças físicas e psicológicas se instalam por causa da queda desse hormônio, mas nem todos irão manifestar sinais e sintomas característicos da andropausa, diferentemente das mulheres. Isso só acontece com aqueles que têm uma diminuição mais expressiva dos níveis hormonais e, ainda assim, as manifestações são mais discretas e menos aparentes do que nas mulheres.

 8.O Sr. acha que toda família deveria ter um médico de família?

 R.: Eu diria que toda família deve ter um médico, um advogado e um engenheiro da família etc. Um médico da família pode servir como um guia, orientador e amigo.

Um estudo inglês da Universidade de Leicester, de 2011 demonstrou a importância de se ter um médico generalista, com os pacientes diminuindo suas internações e idas desnecessárias ao Pronto Socorro. O médico da família conhece toda a história clínica do paciente e de sua família. Esse médico precisa saber tudo o que acontece com você e deve ser o primeiro a ser consultado e a orientá-lo, mas, além das qualidades inerentes à atividade, esse profissional precisa ter a humildade de saber que não poderá resolver tudo e deverá ter um relacionamento profissional com bons especialistas que o ajudem em caso de problemas específicos.

 9.Se pudesse escrever alguns conselhos aos homens brasileiros, o que diria?

 – Faça exercício físico, regularmente, conforme seu estado de saúde e preparo físico. Mas sempre comece após uma avaliação médica.

– Cuide de sua nutrição: prefira agua e sucos naturais feitos na hora. A quantidade e qualidade nutricional de acordo com seu trabalho, idade e estado físico. Coma saladas variadas e frutas.

-Prefira alimentos integrais no lugar de alimentos industrializados.

-Coma pouco sal e prefira temperos naturais.

-Procure um medico de sua confiança pelos menos 1 vez por ano, e só tome remédio com orientação médica.

 – Tenha um sono de qualidade e reparador. Evite refeições pesadas, consumo de cafeína, e exercícios pesados a noite.

 – Faça sempre uma atividade de lazer que realmente goste, assim, você sai da sua rotina.

– Tenha um jantar com seus familiares só, com celulares fora da mesa.

– Elimine hábitos não saudáveis.

– Evite consultar apenas o Google para tirar todas suas dúvidas em saúde.

A clínica do Dr. Hong  fica na Alameda Jaú, 687, Jardins, tel: (11) 3284-2513. Saiba mais no site: http://www.hong.com.br/