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A Família atual está preparada para ter um idoso?

A autocrítica e sensação de fracasso podem levar um ser humano ao desespero. Em uma pequena cidade de Minas Gerais, Luís vive sozinho sonhando com a visita dos filhos. No Rio Grande do sul, a escritora Zeli prepara um texto contando suas férias com seu neto Pedro. Já Mara, não suporta conviver com sua mãe de oitenta anos, que nunca se deu bem com os netos e o genro. “Ela é amarga, chantagista e sempre estraga nossas festas”, reclama Mara com voz esgotada.

O que estas três histórias apresentam em comum? São um retrato da sociedade após os 60. E muito, provavelmente, um retrato da nossa própria história, num futuro próximo ou distante. Tanto faz. Ao ler todos os textos que recebemos para esta edição, uma pergunta surge: será que a família atual com sua vida atribulada consegue compreender o processo de transformação do idoso?

A psicóloga Lúcia Pinheiro nos conta que um dia perguntou a sua avó se ela estava feliz e ela respondeu: “como posso estar feliz entre a infância e a loucura?”. Esse não é um apontamento único e exclusivo da avó de Lúcia. De repente percebemos que o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, de David Fincher, (que conta a história de um homem que nasce idoso e ao longo dos anos vai ficando mais jovem e morre como um bebê) não é tão surreal assim.

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“Por mais que se fale em qualidade de vida na melhor idade, é fato que a maioria dos idosos tem suas expectativas e necessidade (físicas e afetivas) desconhecidas pelos que estão a sua volta. A família atual não suporta o peso que lhe é imposto e não aceita que isso é sua obrigação. O que falta? AFETO.”, salienta Lúcia.

Será que alguém consegue se imaginar sem poder caminhar ou correr? Sem conseguir escovar os dentes ou ir ao banheiro sozinho? Ou tendo que pedir ajuda o tempo todo? Não estamos falando de escolhas, mas de biologia. Muito embora o processo de envelhecimento seja pessoal e diferenciado, existe um padrão de alterações anatômicas (pele, cabelos, tônus muscular, perda de peso e lentidão) que são facilmente notadas, além da decadência sentida pelo próprio indivíduo, especialmente no tocante ao desejo sexual.

A busca pela velhice feliz retrata um assunto de interesse coletivo e não basta depositar todo o peso nas costas das famílias. É preciso realizar um trabalho triplo: indivíduo, família e sociedade.

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Você está preparado para ser um idoso?

Para a Antroposofia é a partir do 63 anos que o portal de comunicação com o mundo externo começa a se fechar, pois é nessa fase que os órgãos do sentido começam a dar sinais de que o ser humano precisa de internalizar.

Aconselhamento biográfico: todo ser humano deveria fazer uma retrospectiva dos principais eventos de sua vida, para discernir o que é da idade e o que é um acontecimento individual. É um jeito interessante de redescobrir a própria história. A Clínica Tobias em São Paulo oferece este programa com duração de 3 a 4 dias. (www.clinicatobias.com.br)

Sexólogo: para a sexóloga Lelah Monteiro, estudos comprovam que a manutenção da atividade sexual após os 60 anos, aumenta a produção de cortisona e contribui para o equilíbrio psíquico. Portanto, não perca a chance de consultar este profissional.

Apoio emocional para a família: a sobrecarga física e psicológica ao lidar diariamente com um idoso acometido de doença física ou mental é enorme. Tenha em mente que o idoso necessita de políticas públicas adequadas que funcionem para dar apoio à família também. Acompanhe o site de desenvolvimento social do seu Estado e não deixe de exigir ajuda! Fraldas, planos de saúde, cursos universitários e treinamentos para cuidadores devem ser tratados pelo poder público com a máxima prioridade.