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Seu tempo vale ouro: Zen Family!

cacaEstava lendo uma entrevista da escritora Rosiska Darcy de Oliveira, sobre como vendemos nosso tempo barato. Ela contava que existe uma geração (na faixa dos quarenta anos) exprimida entre o trabalho, os filhos e os pais, pois não há espaço público para a existência da vida privada. Este é um tema que me mobiliza há alguns anos. Embora eu seja da geração Y, acabo me identificando muito com outras gerações, que exageram na dose de trabalho.

Cheguei a vários colapsos por não conseguir organizar o trabalho com minha rotina doméstica. Era trabalho, mestrado, aulas para ministrar, filho pequeno, marido, mãe, pai e aí por diante. Tive que agir e dar uma guinada na minha vida. Em 2009, durante o mestrado, comecei a estudar a dinâmica do mercado de trabalho aliada a fatores como tempo e gênero. Vi que em vários países era normal trabalhar meio período ou através do seu home office. Na época eu trabalhava em uma multinacional e todos meus colegas do departamento jurídico trabalhavam em horários e esquemas “normais”.

caca e o cuco

Comecei a pensar o que resolveria minha vida. Puxa, trabalhar parte do tempo em casa e parte na empresa seria ótimo. A vida pede muita audácia e quem não capta isto cedo vira escravo de si mesmo ou do que acha que os outros pensam. Decidi renegociar meu contrato de trabalho. Falei com meu chefe e disse que precisava de mais tempo em minha casa, perdia muito tempo no trânsito e como 80% do meu trabalho era intelectual, eu achava que poderia me converter em “home based.”

Demorou algum tempo, mas consegui a aprovação da empresa.  Minha vida mudou. Almoçava com meu filho. Tinha tempo para acompanhar a rotina da casa, sem descuidar do trabalho. Depois o tempo passou e fui sentindo necessidade de outras mudanças. Temos que fazer escolhas, apostar nelas e nos bancar. É tão possível!

Lendo a entrevista da Rosiska descobri que algumas cidades já criaram até uma “Secretaria do Tempo”, para organizar o tempo da cidade, intercalando os horários de trabalho das pessoas. Com isso se evitam engarrafamentos e muita perda de tempo desnecessária na vida das pessoas. “Não é necessariamente diminuir o tempo de trabalho. É organizá-lo de forma diferente”.

De fato, pequenos ajustes de tempo podem mudar radicalmente a vida de alguém e não dá para esperar o Brasil, o seu chefe ou a sua empresa mudarem. Pena que muitas vezes não nos damos conta disso. O tempo é algo muito caro, raro e precioso e não podemos simplesmente dispor dele sem consciência e de forma pródiga.

Segundo Rosiska, muitas coisas mudam na sociedade por contaminação. Gostaria de poder contaminar outras pessoas com minha experiência, mas ainda vejo muita resistência. A liberdade é uma conquista demandante. Mais difícil do que conquistá-la é mantê-la. O que precisamos? Coragem e consciência para tratar nosso tempo com profundo respeito!

(Texto publicado na Revista “Zen Family”, Portugal. Acesse a revista em: https://issuu.com/soniaribeiro2/docs/revista_zen_family_n__8_agosto_isss)