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Você precisa de colo!

“Os laços deste mundo duram apenas algum tempo. Somos marido e mulher, pais e filhos, por um breve período apenas. Quando absorvemos essa verdade, não podemos deixar de valorizar cada momento de nossas breves ligações.” Kentetsu Takamori

Outro dia, meu filho mais velho pediu que seu avô o pegasse no colo. O avô o pegou e ele recostou sua cabeça sobre o peito do avô, como quem pede proteção. O avô retrucou: “você não se acha muito grande para pedir colo?”. Meu filho respondeu ao avô: “É vô, os grandes também precisam de colo às vezes”.

Eu achei tão bonitas aquelas palavras. Pensei comigo que essa é a mais pura verdade. Por mais fortes, inteligentes e astutos que sejamos às vezes tudo que mais desejamos é um colinho. Aquele colo do avô, da mãe, da avó e dai por diante. Enfim, saber que tem alguém ali por nós. E esse desejo por um colo parece não sumir com a idade. Pelo contrário, intensifica-se com o passar dos anos.

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Quando nos tornamos pais nos acostumamos rapidamente a cuidar de tudo e de todos, a ponto de estranhar quando precisamos que alguém cuide de nós. Mas qualquer delírio de autossuficiência desaparece frente a uma cirurgia, uma perda muito grande ou qualquer tragédia pessoal.

Ganhar um colo ou simplesmente aceitar ajuda costuma ser mais difícil que dar colo ou ajudar alguém. Mas é preciso compreender a dinâmica do universo, na qual tudo está em constante transição e ninguém ficará estático até o fim.

Nossos laços nesta vida são breves e transitórios. Somos filhos, netos, marido e mulher, pais, avós, tudo por um tempo determinado. O tempo e a morte desfazem estes colos tão queridos com naturalidade. Por isso é preciso valorizar cada minuto de um colo  e sempre permitir que novos colos se apresentem para nós.

*Fotos de Douglas Braga