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Lelah abre o jogo: “aborto como medida de humanidade”

Diálogo é tudo. Sim, refletir sobre premissas simples podem produzir efeitos de alto impacto na sociedade. Por essa razão, convidamos hoje, nossa colunista Lelah Monteiro, para um bate-papo sobre aborto, pílula do dia seguinte e outras cositas tão complexas e relevantes para nossa sociedade. A Lelah é sexóloga, psicóloga e tem um programa na Rádio Globo, confira a seguir as 7 reflexões que Lelah levantou hoje em nosso debate:

1.Para começo de conversa, somos um Estado laico. Católicos, evangélicos, umbandistas devem conviver cada um na sua. Se a sua religião não permite comer carne, não coma! Mas não espere que os outros façam o mesmo.

2. Não permitir que uma vítima de estupro aborte ou, ainda, dificultar o acesso dela a este recurso é banalizar o impacto da violência sobre a vítima. Minha questão, enquanto profissional, é defender o aborto como medida de humanidade.

3.”Ah mas a criança não tem culpa!”, diriam alguns. Agora eu pergunto: e a mãe? tem culpa? Do jeito que anda a sociedade, a mãe não só é a culpada, como é também punida. E nessa equação social louca, pune-se a criança e a mãe.

4. Outra coisa que me assusta é esse crescente movimento que contesta a pílula do dia seguinte. Isso seria um grande retrocesso, pois é óbvio que ela não é abortiva, ela apenas impede que uma possível fecundação se implante no útero. Não tem feto ainda. Acontece que, atualmente, qualquer um pode comprá-la ou adquiri-la gratuitamente nos postos públicos e não podemos perder essa conquista!

5.As mulheres ricas vão continuar abortando no exterior, pois a maioria dos países de primeiro mundo autoriza o aborto. No Uruguai, por exemplo, o aborto é legalizado e descomplicado. E olha que é um país super católico. Então, se continuarmos com essa política retrógrada, quem vai pagar a conta é a mulher pobre, humilde, que vai tentar abortar com a agulha de tricô e causar um dano terrível para sua vida.

6. Outro caso complicado  é o fato de que muitos profissionais não sabem fazer aborto. Fazem uma curetagem mal feita e a emenda fica pior que o soneto. Precisamos lutar pelo direito a toda e qualquer vida. Será que nós também não estamos fomentando gravidez precoce enquanto sociedade? Será que todas as meninas adolescentes que ficam grávidas tem opção de escolha?

7. Apenas desejo que após esta leitura, a sociedade se sinta mais imparcial para falar do tema. Talvez você não tenha todas as informações e é OK mudar de opinião. Precisamos pensar que essa menina com uma gravidez indesejada podia ser você, sua filha e sua neta. As pessoas estão muito preocupadas em não serem rotuladas. Mas precisamos pensar além disso, para preservar a vida de quem já está vivo!

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ps.: Se você quiser acompanhar e seguir os passos da Lelah, basta acessar o site dela: http://www.lelahmonteiro.com.br