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O papel da sétima arte na minha vida

Fotos de Lucylla Alexandre

Aos 9 de idade, descobri que queria ser cineasta. Desde então, persegui este sonho todos os dias da minha vida. Todo dia eu acordo e penso em filme. Vejo, pelo menos, três filmes por dia. Não me canso de me apaixonar por esta arte. Sou um amante da sétima arte e foi com este espírito que cheguei à Universidade da Carolina do Norte (UNC), nos Estados Unidos.

Felizmente, fui contemplado com uma bolsa de estudos completa, que incluía até alimentação e moradia. Posso dizer que esta é uma universidade dos sonhos para qualquer estudante de cinema. Primeiro, porque você chega e já começa a produzir filmes. Todo o conceito da universidade é trabalhado com base na prática. É luzes, câmera e ação o tempo todo. A teoria vem do fazer e acaba acontecendo naturalmente, sem grandes esforços.

Segundo, que o campus é belíssimo, com toda a infraestrutura possível. Os alunos têm a possibilidade de mergulhar de corpo e alma no universo do cinema. É impossível não se contagiar pela energia criativa entre alunos e professores.

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Conclui minha graduação em 2010 e minha tese de conclusão foi contemplada com o prêmio DGA, de melhor filme independente na categoria filme latino-americano. O filme da minha tese foi um curta-metragem chamado “The other side”, que acabou abrindo portas para que eu continuasse produzindo após minha graduação.

Para mim, fazer cinema é quase uma experiência espiritual. Gerar imagens poderosas, que façam as pessoas refletirem a natureza do ser humano, ou a situação de determinados lugares é imprescindível para a evolução humana. Investir no cinema é permitir que mais jovens se formem e sejam capazes de fazer cinema é um excelente caminho para a consciência social. Lembrando que o filme é muito mais que simples entretenimento…

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Caça ao tesouro

Por que conhecer os clássicos do cinema? Quem se interessa por Godard ou Truffault? Espero que muita gente comece a se interessar. Conhecer os clássicos é imprescindível para que as pessoas abram suas mentes. Tem muito filme maravilhoso escondido e descobri-los é quase uma caça ao tesouro.

Óbvio que alguns filmes envelhecem mal, perdem sentido com o passar dos anos e se tornam desinteressantes para as novas gerações. Mas, por outro lado, existem filmes, que são atemporais, verdadeiras pérolas da humanidade, que jamais deixarão de fazer sentido. Descobrir estes filmes é tão gratificante quanto encontrar um tesouro.

Vale lembrar que nem todo filme é para todo mundo. Mas uma coisa é fato: para escolher, é preciso conhecer. Então, eu insisto para que as pessoas não deixem de se aventurar no mundo dos clássicos.

“Noites de Cabíria”, de Federico Fellini é um destes clássicos tesouros que atravessará séculos sem se tornar obsoleto. O filme é de 1957, mas sua abordagem sobre assuntos intrínsecos como prostituição e decepções amorosas, o torna mais atual que nunca. Jamais sairá de moda e se você ainda não viu, não deixe passar esta oportunidade.

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Pode ser que você não goste de Fellini, mas quem sabe se apaixone pela visão de mundo de outro diretor. Talvez Bergman, Pasolini, pouco importa quem seja o seu escolhido. Neste campo é importante ser promíscuo. Provar de tudo um pouco, sem medo de ser feliz.

E, o mais importante de tudo, é lembrar que o que você gosta não te define. Nem tudo que gostamos, representa algo que somos. Se você gostar de violência, isso não quer dizer que você é um serial killer. Este preconceito é bobo e é preciso vencê-lo. Por hora, vamos à caça, pois existe muito tesouro no mundo, esperando para ser encontrado, ou assistido!

 Alex Moratto é cineasta e colunista da Pense Mais!