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Catamismo: catar e misturar

No final de novembro de 2014, enquanto acertava minha exposição na Galeria Cultura, Shopping Rio Mar Recife. A galeria expunha naquele mês obras do artista André Soares Monteiro. Ao ler o folder de apresentação uma palavra me chamou atenção: Castamisto. O expositor fazia parte deste grupo.

Na mesma semana entrei em contato com André via rede social e o questionei do que se tratava aquele movimento. Segundo André, Catamisto – catar e misturar – movimento arregimentado no fim da década de 70, cujo próprio nome já prenunciava uma nova maneira de encarar o mundo e seus problemas atuais com o meio ambiente. Justamente essa junção de palavras, criando neologismos, caracteriza o foco do movimento, que hoje reúne artes plásticas (pintura, escultura), música, moda, poesia, culinária, artesanato e os anseios de uma geração de artistas que clamam por um mundo melhor param se viver.

De modo prático, o Catamisto trabalha com materiais recicláveis: banners, revistas, cartões postais, portas de armário, radiografias, tampas de máquinas de lavar, peças de automóvel, palavras banalizadas e tudo mais que se puder encontrar no lixo ou no desuso. Esses materiais são transformados em arte, em palavras em favor da consciência para a preservação do meio ambiente.

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Diante de mim um mundo de pessoas interessadas na divulgação da arte, sem se enquadrar em qualquer escola, apenas utilizando os restos que “teoricamente” não serviriam para mais nada. O movimento é composto por artistas de várias vertentes e em constante movimento, principalmente na rede pública de educação, não deixando de lado o circuito alternativo e marginal da capital pernambucana.

A arte produzida pelo movimento não é apenas aproveitamento de materiais recicláveis. A arte produzida pelo movimento tem qualidade, reflete a ansiedade de uma geração que procura compreender melhor o planeta onde vive, transportando ao expectador a uma profunda compreensão da importância de preservar – arte que incomoda. Os participantes do movimento prezam pela qualidade de seus trabalhos, gente experiente e com domínio das técnicas de pintura, escultura, escrita, dança e dramatização. O movimento encorpa bem a maioria das artes.

Quando você estiver diante de alguma manifestação catamista, saiba que não são apenas pessoas falando de meio ambiente ou expondo peças com mistura de lona, papel, borracha e demais recicláveis. Você estará diante de grandes artistas que fazem mais que arte.

Saiba Mais.